NOTÍCIAS

Mais de 20 materiais não são reciclados, aponta Ong Verde Vida

19/10/2017 09:36:39

Fonte jornal Voz do Oeste - Chapecó


As centenas de sacolas de lixo eram abertas uma a uma por um homem forte no topo de um elevado dentro da produção da ONG Verde Vida. Ele lançava os materiais até uma esteira, onde oito mulheres, lado a lado, faziam as mãos ágeis pinçar o reciclado que era da sua competência e separá-los em tonéis ou grandes bolsas.
Papel, papelão, plástico. O que não servia, seguia pela esteira, caindo em outra grande sacola branca. Nem tudo é reciclado ali e se o cheiro dentro do galpão pouco iluminado não era agradável, é pela mistura dos resíduos que podem não ter um segundo destino.
O trabalho não para. Mesmo quando a grande sacola de ráfia branca enche para ser fechada, outra é posta e recebe o descarrego que vem da coleta das mulheres. Assim que transborda, o ciclo continua, até ser ajuntada por uma empilhadeira e colocada no canto direito do galpão, onde outras grandes sacolas brancas sem utilidade são amontoadas.
Pioneira em Chapecó quando o assunto é reciclagem, a ONG Verde Vida, localizada no bairro São Pedro, há 23 anos, recolhe materiais em dezenas de empresas da cidade e, quando entra no barracão de separação, esse lixo se transforma. A partir daí, passa gerar emprego para 42 pessoas, entre homens e mulheres, mantém oficinas socioeducativas voltadas aos adolescentes em situação de vulnerabilidade social que residem naquela região, e, no total, emprega mais de 60 funcionários.
Para tanto, mensalmente, a ONG coleta 300 toneladas de resíduos em Chapecó, desse total, entre 10 e 15%, não pode ser reaproveitado.
– Mesmo que tenhamos o foco somente nas empresas, percebemos que até nesses locais ainda falta o entendimento sobre essa questão, sobretudo se pensarmos nessas 30 toneladas que chegam até nós sem nenhuma utilidade – explica o coordenador do Verde Vida, Odair Balen, que ministra palestras sobre o tema em diversos espaços da cidade.
Nesse contexto, destaca Balen, existem dezenas de materiais que não são recicláveis e que não podem ser descartados junto às associações e cooperativas que atuam na reciclagem. O alerta serve para toda a população.
– Itens como porcelanato, embalagens de salgadinho, cerâmica, lâmpadas, etiquetas adesivas, fita crepe, papel higiênico, fralda usada, absorventes, metais, clips, grampos, esponjas, nylon, embalagens de carne e de presunto, bandejinhas de bife, a tampa transparente que cobre os bolos comercializados nas padarias, duralex, vidro temperado, óculos e vidro de película, não são comprados por nenhuma empresa da região. Essa informação precisa chegar até as pessoas – ressalta Balen que, através do Verde Vida, acompanha há mais de duas décadas a situação da reciclagem em Chapecó.
– Nesse período, notamos, de fato, que a população de Chapecó está mais consciente sobre essa causa, mas não podemos dizer que estamos nem perto do que deveríamos vivenciar quando o assunto é esse – diz.

Falta mobilização

Numa sociedade fortemente baseada no consumo, compreender qual é o papel de cada ator social para minimizar os efeitos do lixo no planeta, requer, antes de tudo, engajamento. Às pessoas, na visão de Balen, cabe a opção pelo consumo sustentável, evitando os excessos, reutilizando produtos quando possível e destinando corretamente suas sobras.
Para ele, no Brasil, além da falta de tecnologias que possam incluir todo o lixo na cadeia da reciclagem, falta uma política pública voltada para essa questão.
– As garrafas pet, por exemplo, podem ser recicladas, logo, poderíamos pensar numa alternativa para que outras embalagens também seguissem essa lógica. Nisso, o poder público tem um grande papel, pois poderia criar uma política pública definindo que todas as embalagens produzidas no país tivessem retorno. Na Europa, em alguns países, as embalagens são devolvidas pela população aos supermercados, cabe a eles essa destinação. Claro, não podemos esquecer que todos trabalham com sua margem de lucro e isso implica em gastos, mas é algo a se pensar – sugere Balen, que cita:
– Veja o caso lâmpada fluorescente que contem mercúrio que contamina o meio ambiente. Ninguém quer pegar de volta na logística reversa, porque o descarte tem um custo, então, o governo deveria dar um incentivo para isso. Sei de mercados que pararam de vender essa lâmpada porque as pessoas que compravam a lâmpada voltavam para devolver. Como que se chega numa solução melhor? É discutindo e analisando as divergências, as confluências, envolvendo a sociedade civil, Estado e empresas – finaliza.

Veja Fotos

Outras notícias

Adolescentes aprendem noções de contabilidade em projeto realizado pelo Sindicont

20/10/2017 09:39:09

Apresentar na prática as rotinas contábeis nas...

Ong Verde Vida realiza festa para as crianças

19/10/2017 09:16:54

A véspera do Dia das Crianças foi marcada por...

Um transformador de realidades

22/09/2017 16:12:53

Ao completar 23 anos nesta terça-feira (19), a...

Rua Marechal Floriano
Peixoto, 2151-L
Bairro Bom Pastor
89.806-018 - Chapecó/SC
Fone: (49) 3322 2776
Fax: (49) 3322 2587
Recursos Humanos:
recursoshumanos@verdevida.org.br
Secretária:
secretaria@verdevida.org.br

Coordenador Executivo:
obalen@verdevida.org.br
Psicóloga:
aline-ricardi@hotmail.com
Administrativo Setor social:
socioeducativoverdevida@gmail.com
Assistente social:
sara_piaia@unochapeco.edu.br